Já escrevi outras vezes sobre oferendas e macumbas e retorno ao tema porque elas, contra minha vontade, fazem parte do meu cotidiano. É que minha casa fica numa praça; e praças, em geral, têm árvores. (Digo ′em geral′ porque na cidade de São Paulo há praças sem árvores...). Se não tivessem esquinas, árvores, cachoeiras e idiotas os macumbeiros, ′oferendeiros′, bem como seus escravos, ficariam em situação bastante difícil.
Esses rituais causam problemas para quem mora como eu, próximo a árvores e esquinas: formam lixo, atraem pombos, ratos e cães abandonados; e, quando são deixadas garrafas de refrigerantes abertas com o liquido dentro provocam a morte de centenas de abelhas uma vez que elas entram na garrafa e não mais conseguem sair. Quando vejo isso viro a garrafa e faço escoar o líquido salvando, assim, esses insetos tão úteis. Colocadas nas cachoeiras infectam a água.
Seria longa a lista de comestíveis e bebidas que já vi em macumbas e oferendas. Na maior parte das vezes são produtos baratos. Mas, já vi bandejas com queijos, presuntos, rodelas de palmito. Tudo arrumado como se a bandeja fosse elaborada para ser conduzida a uma ceia especial.
Há 5 décadas vejo essas coisas e nunca vi espírito nenhum vir comê-las...
E por quê volto ao assunto? Respondo! Em novembro último (2009) ao atravessar a praça (zona Oeste de S. Paulo) vi algo bem forte e diferente sob um dos bancos de concreto. Parei instintivamente para tentar decifrar o que eram aqueles objetos de cera regiamente coloridos. Depois de alguns segundos me ficou claro que o artigo preto e ereto era um órgão sexual masculino. E o vermelho colocado ao lado que seria? Pois não é que era a parte oposta, ou seja, uma vulva; uma representação do órgão sexual feminino!
Um tanto perplexo segui meu caminho. Algumas perguntas me vieram automaticamente enquanto caminhava. Quem teria colocado aquela macumba ali? Teria sido um homem ou uma mulher? Qual teria sido a verdadeira razão, a essência do ′trabalho′: só o desejo de uma aproximação de um homem e uma mulher, um desejo platônico? Não, não, respondi, era forte demais para tão pouco. Seria o desejo de casamento? Também acho que não. Tudo a indicar que: 1º) Quem fez o despacho teria sido uma mulher negra; 2º) Que ela estava desejando arduamente fazer sexo com determinado homem negro. Só conjecturas sem quaisquer fundamentos.
Passados alguns dias colocaram ao pé de uma árvore dois cocos cheios do liquido, maravilhoso por sinal, com os respectivos furos e cada qual com seu canudinho... Ora, me perguntei, espírito para tomar água de coco precisa de canudinho? Que raio de espíritos são esses? Ah, já não se fazem mais espíritos como antigamente...
Decorridos 40 dias, com relação ao primeiro caso, é inevitável nova pergunta: teria ela conseguido seu intento? Sim, a pergunta me interessa porque, caso não, logo aparecerá outra macumba igual em algum ponto da praça. Afinal, mulher, mulher brasileira, não desiste nunca, principalmente, quando envolve ... ′amor′. Para nós, moradores, sujeira, entulho...
Hoje, 15 de janeiro de 2.010, vi outra imagem repugnante e, porque não dizer, triste: dentro de um prato de barro uma galinha branca em decúbito dorsal jazia morta, suas asas para fora bem como seu pescoço e sua cabeça...
Pensei: Sempre me rebelei contra essas oferendas e macumbas e mais ainda quando animais são judiados e mortos. Isto quando não são machucados e mortos seres humanos, como temos visto nos noticiários com certa frequencia. Mas, se tantos reis e rainhas, artistas famosos, deixaram-se (e deixam-se) envolver por essas mandingas que poder-se-á fazer com as pessoas simples, as pessoas comuns?
Tudo indica que teremos de conviver por muitos séculos, quem sabe milênios, com essas crendices. Infelizmente!
(Notas: a- sobre o arroz preto, tema de texto meu publicado recentemente no www.vivasp.com: Líria Alves, graduada em Química, fez uma comparação entre esse arroz e o integral. O arroz preto ganhou em vários pontos importantes para a alimentação humana. Brasil Escola. Procure via Google. Bem interessante para quem se preocupa com a saúde. b- por falar em árvores este ano já fiz bem mais para o mundo que tudo o circo da fórmula 1> lancei na mata do Pq. V. dos Remédios 80 sementes de palmeira jussara, plantei 4 árvores e um cachorro...)