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Paróquia de Santo Antônio do Pari, aos 91 anos
31/8/2005 - 10:01:53 | Ana Maria Lisbôa Mortari
Antes de falar sobre essa belíssima Paróquia, cabe primeiro uma explicação interessante sobre certas definições, para podermos entender a diferença entre Igreja, Paróquia e Santuário:
Paróquia - diferentemente do que se pensa, é a delimitação territorial formada pelo conjunto das comunidades que circundam a Matriz (a maior Igreja dessa região e onde fica o pároco ou administrador paroquial), incluindo a própria Matriz (Diocese = circunscrição territorial sujeita à administração eclesiástica de um bispo, arcebispo ou patriarca), como se fosse uma empresa com filiais no mesmo bairro ou região, incluindo a maior filial.
Assim sendo, a Paróquia de Santo Antônio do Pari tem, na jurisdição espiritual do seu pároco, todas as comunidades situadas no território do Alto do Pari (uma Diocese) e a Paróquia de Santa Rita de Cássia, tem em sua jurisdição espiritual, todas as comunidades do território do baixo Pari (outra Diocese).
Igreja, termo comumente aplicado pelas pessoas, é todo e qualquer templo cristão, é o conjunto de fiéis, que professam a mesma fé e que estão sujeitos aos mesmos chefes espirituais, diferentemente de Santuário que é a Igreja de visitação em massa, como a Penha e a Aparecida do Norte, entre outras.
A Paróquia de Santo Antônio do Pari, foi fundada em 1914, na atual Praça Padre Bento, conhecida antigamente como Largo do Pari e, com 91 anos de existência, pede cuidados especiais dando mostras da impiedade do tempo em sua belíssima construção.
Situada no bairro do Pari, cujo distrito abrange o Alto do Pari, o Pari de baixo e ainda o Canindé, que em tupi-guarani “Can-ndê”, significa arara, barulho, gritaria, daí ser nome de uma espécie de arara azul, reproduzida na foto, e de uma cidade do Ceará.
Com seus 400 anos, este antigo bairro de apenas 2,75 km², localizado a cerca de 2 km da região central, tem o nome de Pari, que em tupi guarani significa pesqueiro, curral feito de cercas de taquara ou de cipó, chamadas "paris" que eram estendidas de uma margem a outra nos rios Tietê (em tupi guarani significa Rio Verdadeiro) e de seu afluente Tamanduateí (de Tamandetay que em tupi guarani significa rio de muitas voltas ou meandros, sua imagem), que na época, possuíam diversos lugares piscosos e próprios para a instalação de "paris" para pescar peixes, que depois eram vendidos no centro da Vila de São Paulo.
Suas ruas são largas, asfaltadas e muitas delas possuem farta vegetação.
No recenseamento da Câmara em 1765, o bairro era citado numa ata onde constava que no Pari existiam cerca de quinze residências, onde moravam 72 pessoas, cuja maioria se ocupava da pesca.
Entretanto, com o passar do tempo, devido ao comércio intenso e muitas indústrias atacadistas de doces que se estabeleceram na região, o Pari tornou-se conhecido como o "bairro doce" de São Paulo.
Nesse interessante local, Dom Duarte Leopoldo e Silva fundou, no dia 2 de fevereiro de 1914, a Paróquia Santo Antônio do Pari, tendo como seu 1° pároco Frei José Rolim, recém chegado de Portugal, por causa da guerra, e que ali permaneceu até 27 de agosto de 1916, quando foi sucedido por Frei Felipe Niggemeier.
Conta a história que, por carência de igreja ou capela apropriada, o Frei José Rolim alugou a sala de um sobrado, na esquina das atuais ruas Miller e Maria Marcolina, que aparece na foto
O projeto para a Igreja começou a tomar forma, em agosto de 1922, quando Arthur Vautier, proprietário de vastas áreas no bairro, doou um terreno para a construção da atual e majestosa matriz, que foi inaugurada no culto do dia de Santo Antonio, em 13 de junho de 1924.
A grande construção foi se completando até chegar à forma que podemos admirar atualmente, com 15 altares, solenemente inaugurados entre os anos de 1925 e 1929, com seis confessionários, forro, batistério, bancos e duas imponentes torres de 52m de altura e de 8m de largura, a sagração dos sinos e a inauguração da Via Sacra
À medida em que São Paulo ia se desenvolvendo, esta Matriz ia completando a sua construção e acabamentos, como o púlpito, que infelizmente encontra-se interditado devido a rachaduras que necessitam restauro, todo executado em mármore italiano, com incrustações de alto relêvo em madeira, imitando bronze, inaugurado em 30 de novembro de 1930.
Esta Igreja símbolo do bairro, famosa por suas festas e quermesses juninas, devido ao excesso de trânsito da região, vem apresentando abalos em seus alicerces, necessitando de um plano de reforma total, abrangendo também a restauração artística desse patrimônio religioso da cidade de São Paulo, que com o decorrer do tempo, teve a pintura dos altares laterais desbotada e a pintura original das paredes laterais superiores suprimida numa reforma anterior.
O enorme órgão de tubos gigantescos completamente reformado e reinaugurado em 1985 é o terceiro maior órgão de tubos do Brasil, menor apenas do que está na Catedral da Sé e na Igreja do Mosteiro de São Bento.
Esperemos que o bondoso e milagroso Santo Antonio ajude a comunidade a restaurar este monumento paulista.
A tradição diz que os lírios de Santo Antonio, o Santo casamenteiro, são infalíveis, por isso, quem sai da festa carregando o famoso lírio casa-se com certeza.
Uma curiosidade que não posso deixar de relatar aqui, é que o largo da Igreja, antigo ponto de encontro da comunidade de Santo Antonio do Pari, atualmente aos domingos à noite, transforma-se no ponto de encontro da colônia boliviana de São Paulo, por ser o local onde está localizada a sede de uma Associação Residencial deles, chamada como se vê na placa, “Associación de Residentes Bolivianos” que aparece nesta foto.